Sexta-feira, Julho 29, 2005

Ninguém consegue colecionar todas as lindas conchas da praia. Só se consegue catar umas poucas, e quanto mais raras, mais bonitas são. A única concha do caracol causa mais impacto do que três. Há apenas uma Lua no céu. Um pôr-do-sol duplo é um acontecimento, mas seis deles tornam-se uma série, como os dias de uma semana escolar. Aos poucos, a pessoa vai se desfazendo dos excessos e guarda apenas o exemplar perfeito; não necessáriamente a concha rara, mas a mais perfeita daquela espécie. Separa-a das outras e deixa-a sozinha circundada de espaço -- como uma ilha.

Pois a beleza só floresce quando tem o espaço como moldura. É no espaço que se encontram os acontecimentos, os objetos e as pessoas especiais e significativas -- e, portanto, a beleza...

Anne Morrow Lindbergh



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Terça-feira, Julho 26, 2005




Limites
(trecho)



Como faltam limites, como faz falta a falta! Tem gente se entupindo de comida, trabalho, bebida. Anabolizantes, tranqüilizantes, anti-depressivos. Sexo. "Algumas propagandas até colocam isto como uma vantagem. "Ultrapasse seus limites!" -- dizem.

Seguindo esta linha, muitas adolescentes se tornam anoréxicas ou bulímicas. Doenças do nosso tempo. Limites do corpo ultrapassados. Fanatismos de todos os tipos. Alienação do sujeito. Adições, toxicomanias, obsessividade. Por quê tantas vezes não se pode dizer "basta"?

Muita gente se "mata" de trabalhar. Vale a pena? Os hospitais recebem enfartados todos os dias, de colarinhos brancos. Talvez se estressem porque não saibam dizer "não", porque achem que têm de responder a todas as demandas.

Fala-se tanto em limites, hoje em dia, e precisa-se tomar cuidado para não esvaziar o sentido desta palavra. Diz-se muito comumente "esta criança precisa de limites!" Mas, vejam, os limites não são um artifício colocado, eles estão aí, são da vida. Se você não comer, você morre -- limites orgânicos. Se você matar ou roubar, vai preso -- limites da vida em sociedade e de respeito ao próximo. Se seu filho não estudar, não passa de ano -- limites e regras do sistema educacional. Sem falar naquilo que a gente "aguenta" ou não. São nossos limites internos. Enfim, teríamos mil exemplos a dar.

O que a gente precisa ver é que tudo tem consequência. Somos responsáveis por nós mesmos, cada um de nós responde por si. E precisamos ensinar isto a nossos filhos. Não há como escapar disto. Às vezes, ultrapassamos nossos limites físicos. Em nome de quê? De um ideal de beleza? -- ser magra, bonita... De um impulso que vem de dentro? -- compulsão por comida, bebida, cigarro...

Às vezes, o que se ultrapasa são os limites de respeito ao outro, como por exemplo, se eu me "dou" de uma forma exagerada ao outro, vou cobrar dele igualmente, e este arranjo não vai dar certo. (Pensem nas mães extremamente dedicadas aos filhos, que se consomem por eles, como são também cruéis nas suas cobranças posteriores; ou nas relações dos casais...)

A gente não pode tudo. pode algumas coisas, é claro. E é este o espaço de viver. E ter prazer. Para além das balizas e demarcações, o que se encontra é o horror.


Carmen Cerqueira César

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Quinta-feira, Julho 21, 2005



A mente além dos julgamentos
observa e compreende



Não considere o que é certo e o que é errado, porque, se você considerar o que é certo e o que é errado, você ficará dividido, você se tornará um hipócrita. Você fingirá o certo e fará o errado. E, no momento em que você considera o que é certo e o que é errado, você fica preso, você se torna identificado. Você certamente fica identificado com o certo.

Por exemplo, você vê uma nota de cem reais na beira da calçada; ela pode ter caído do bolso de alguém. Então surge a questão: pegá-la ou não pegá-la? Uma parte sua diz: "Está perfeitamente certo pegá-la. ninguém está olhando, ninguém nem mesmo suspeitará. E você não está furtando -- ela está bem ali! Se você não a pegar, outra pessoa irá pegá-la de qualquer modo. Assim, por que perdê-la? Está perfeitamente certo!".

Mas uma outra parte diz: "Isso está errado -- este dinheiro não lhe pertence, não é seu. De certo modo, de um modo indireto, é um furto. Você deve informar à polícia, ou, se você não quer se incomodar com isso, então siga adiante e esqueça. Nem ao menos olhe para trás. Isso é ganância e ganância é pecado!".

Agora, essas duas mentes estão presentes. Uma diz "está certo, pegue-a", a outra diz "está errado, não a pegue". Com qual das duas você vai se identificar? Você vai certamente se identificar com a mente que diz que é imoral, porque isso satisfaz mais ao ego: "Você é uma pessoa moral, você não é qualquer um; outra pessoa qualquer teria ficado com a nota de cem reais. Nesses tempos difíceis, as pessoas não pensam em tais delicadezas". Você se identificará com a mente moral. Mas há toda possibilidade de você pegar o dinheiro. Você se identificará com a mente moral e se desidentificará da mente que vai pegar o dinheiro. Lá no fundo você a condenará. Você dirá: "Isso não está certo -- é o pecador em mim, a parte mais baixa, a parte condenada". Você se manterá distante da coisa. Você dirá: "Eu era contra isso. Foi meu instinto, foi meu inconsciente, foi meu corpo, foi minha mente que me persuadiu, pois eu sabia que estava errado. Eu sou aquele que sabe que aquilo estava errado".

Você sempre se identifica com o certo, com a atitude moral, e se desidentifica do ato imoral -- embora o faça! É assim que a hipocrisia surge.

Ir além dos julgamentos de bom e ruim é o caminho da observação. E é através da observação que a transformação acontece. Essa é a diferença entre moralidade e consciência. A moralidade diz: "Escolha o certo e rejeite o errado. Escolha o bom e rejeite o ruim". A consciência diz: "Simplesmente observe os dois. Não escolha nada. Permaneça na consciência sem escolha".


Osho

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Segunda-feira, Julho 11, 2005



Espelho seu

Quero ser minha para poder ser sua
Quero nunca mais partir
Pra longe de mim.
Vem, alivia, adianta, adivinha
Quero ser sua pra poder ser minha...

Elisa Lucinda

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Sexta-feira, Julho 08, 2005




Gestos e atitudes passam ao mundo a mensagem de cada um. São inúteis todas as
posteriores explicações e justificativas para fazer algo diferente do que se mostrou por
meio deles. A mensagem é evidente.

As palavras comportam mentiras, mas a ação só pode ser verdadeira. Por isso, quando
quiser medir a sinceridade de alguém, concentre-se nos atos e não nas palavras. É pelas
frutos que se conhecem as árvores e é pelos atos que se conhece a natureza de alguém.

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