Domingo, Outubro 31, 2004
Nas Nuvens
Nas nuvens que passam
Formas mutantes viajam
E eu que não sei voar
Invejo os seres que flutuam
Efêmeros formados nas nuvens
Que eu fixo contemplo pasmo
Vivesse também um minuto
Etéreo fosse o meu corpo
Talvez após tidas mil formas
Tomo uma que agrade a ti
E assim por um instante fugaz
Conquisto a tua atenção
E embora transmute em seguida
Por certo levo para o novo modo
O calor eterno do teu breve olhar
I.C.Mourão
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Sexta-feira, Outubro 29, 2004
Liberdade com responsabilidade
A maior declaração de liberdade não a faz quem se opõe sistematicamente
a todas as regras, mas quem se esforça para tornar concretos seus sonhos,
independente das circunstâncias serem propícias ou não. Aceitar a liberdade
é aceitar também a responsabilidade que vem com ela. Ninguém pode decidir
por nós o melhor rumo a seguir. No silêncio de nossos pensamentos, teremos
de nos responsabilizar pelas próprias decisões, concentrando as energias
e persistindo no caminho positivo, aquele em que usamos nossos recursos
para lutar a favor dos sonhos, e não contra nada nem ninguém.
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Sexta-feira, Outubro 22, 2004
A Elegância do Comportamento
"Não há caminho novo. O que há de novo é o jeito de caminhar."
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja
cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito
além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um
simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de
dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa
alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que incentivam mais do que criticam. Nas
pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da
fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se
dirigir a subordinados. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores
porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra
interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas
festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não
recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois
manda dizer se está ou não está. Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante não mudar seu estilo
apenas para se adaptar ao de outro. É muito elegante não falar de dinheiro
em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio diante de uma rejeição...
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar
nele de uma forma não arrogante. Pode-se tentar capturar esta delicadeza
natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é
desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social:
é só pedir licença para o nosso lado "brucutu", que acha que "com amigo
não é preciso ter estas frescuras". Se os amigos não merecem uma certa
cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por
falta de uso. E, detalhe: não é "frescura". É a elegância do comportamento.
(Desconheço o autor)
Elegância é mais do que uma roupa ou um acessório, é um estado de espírito. A elegância se revela na forma de pensar, nos gestos e nas palavras.
Ela é fundamental não por ser um atributo frívolo mas porque sua estética sempre ajuda a melhorar a falta de harmonia que grassa no mundo.
A presença da elegância só faz sentido onde ela brilha pela ausência. Ao invés de exigir que o mundo seja belo, aplicar essa virtude em cada situação onde ela faltar, irradiando a nossa melhor influência.
Nota: Boa sorte ao querido amigo Náufrago, exemplo de elegância, que saiu de
cena com a mesma discrição com que chegou...saudades!!!
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Domingo, Outubro 17, 2004
O Rio
Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refletí-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refletí-las também sem mágoa
Nas profundidades tranqüilas.
Manuel Bandeira
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Quinta-feira, Outubro 14, 2004
Eu cheguei.
Tenho aqui
no agora
o meu lar.
Eu sou firme
Eu sou livre.
Eu habito
no absoluto.
Inspirando eu sei que a irritação
está em mim.
Expirando eu sei que este
sentimento é desagradável.
(Depois de algum tempo)
Inspirando estou calmo.
Expirando agora estou bastante forte
para controlar esse sentimento.
Pé e terra se tocam.
Girassóis radiantes enchem
nossos olhos.
Ao longe ronca o trovão.
Doces gotas descem por nossas faces.
Penentrando em cheio no mundo de
nascimento e morte, nossas
lágrimas alimentam todos
os seres.
Transcendendo o mundo de
nascimento e morte,
pegadas vazias vão a
lugar algum.
Através da porteira deserta,
cheia de folhas amarelas,
eu sigo o caminho estreito.
A terra está vermelha como lábios
de criança.
De repente estou consciente
de cada passo que dou.
Tome a minha mão.
Vamos caminhar.
Vamos apenas caminhar.
Vamos desfrutar da nossa caminhada
sem pensar e sem chegar
a lugar algum.
Caminhar pacificamente,
caminhar alegremente.
Nossa caminhada é de paz.
Nossa caminhada é de felicidade.
Anda e apalpa a paz a todo instante.
Anda e apalpa a felicidade
a todo instante.
Cada passo traz uma brisa
refrescante.
Cada passo faz uma flor desabrochar,
Beija a terra com teus pés.
Dá à terra teu amor e tua felicidade.
A terra estará segura quando
sentirmos segurança em
nós mesmos.
A terra é sempre paciente e de
coração aberto ela
espera por você.
Esperou por você pelos últimos
trilhões de períodos.
Pode esperar por qualquer extensão
de tempo.
Ela sabe que você voltará
a ela um dia.
Refrescante e verde ela o acolherá,
exatamente como da primeira vez,
porque o amor nunca diz:
"Esta é a última vez".
Porque a terra é mãe amorosa.
Ela jamais deixará de esperar
Por você.
Houve tempo em que você fracassou.
Andando no caminho vazio,
você pairava no ar, perdido
no ciclo de nascimento e morte
e mergulhado no
mundo da ilusão.
Mas o belo caminho é paciente,
sempre esperando
que você volte.
Ele sabe que você voltará um dia
e o acolherá em seu retorno.
O caminho será estimulante
e belo como da primeira vez.
O amor nunca diz que esta
é a última vez.
O caminho é você.
Eis porque nunca cansará de esperar.
Quer esteja coberto de pó vermelho,
de folhas outonais,
ou de neve glacial,
volte ao caminho.
Você há de ser qual árvore da vida.
Suas folhas, troncos, ramos
e as flores da sua alma serão
viçosas e lindas, assim que
você entrar na prática
de tocar a terra.
Paz é o andar.
Felicidade é o andar.
Ande por você mesmo
E andará por todos nós.
Paz é todo passo.
O Sol vermelho e brilhante
é meu coração.
Toda flor sorri comigo.
Como é verde é fresco
tudo o que cresce.
Como é frio o vento que sopra.
Paz é todo passo.
Ele transforma em alegria o caminho
interminável.
Extraído de "Meditação Andando", Thich Nhat Hanh.
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Terça-feira, Outubro 12, 2004
Não custa nada preservar a leveza de espírito, pois a vida entre o céu e a
Terra foi feita para brincar. Brincando com a vida, descobrimos a sua magia
e compreendemos porque nada de maravilhoso acontece às pessoas cingidas
às regras do mundo, que não permitem que qualquer novidade ou surpresa
aconteça. Por mais adulto que alguém se sinta, no seu coração sempre haverá
uma criança.
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Sábado, Outubro 09, 2004
Quando a alma acena com cansaço e desânimo,
talvez esse seja um sinal para aquietar-se e, se não
der para desmarcar os compromissos importantes,
pelo menos se desobrigar de tirar deles quaisquer
resultados objetivos. Tempo bom para retomar
leituras inacabadas, ouvir boa música, relaxar ou
simplesmente apreciar as paisagens da alma.
Fui...
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Quarta-feira, Outubro 06, 2004
Uma história sobre ética
Ele tinha onze anos e, a cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais
próximo ao chalé da família, numa ilha que ficava em meio a um lago.
A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas pai e filho
saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava
liberada.
O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando
ondulações coloridas na água. Logo, elas se tornaram prateadas pelo efeito
da lua nascendo sobre o lago. Quando o caniço vergou, ele soube que havia
algo enorme do outro lado da linha. O pai olhava com admiração, enquanto
o garoto habilmente, e com muito cuidado, erguia o peixe exausto da água.
Era o maior que já tinham visto, porém sua pesca só era permitida na
temporada. O garoto e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras para
trás e para frente. O pai, então, acendeu um fósforo e olhou para o relógio.
Eram dez da noite - faltavam apenas duas horas para a abertura da temporada.
Em seguida, olhou para o peixe e depois para o menino, dizendo:
- Você tem de devolvê-lo, filho!
- Mas, papai, reclamou o menino.
- Vai aparecer outro, insistiu o pai.
- Não tão grande quanto este, choramingou a criança.
O garoto olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou embarcações
à vista. Voltou novamente o olhar para o pai. Mesmo sem ninguém por perto,
sabia, pela firmeza em sua voz, que a decisão era inegociável. Devagar, tirou o
anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura. A criatura
movimentou rapidamente o corpo e desapareceu. E, naquele momento,
o menino teve certeza de que jamais veria um peixe tão grande quanto aquele.
Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, o garoto é um
arquiteto bem-sucedido. O chalé continua lá, na ilha em meio ao lago, e
ele leva seus filhos para pescar no mesmo cais. Sua intuição estava correta.
Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite.
Porém, sempre vê o mesmo peixe - repetidamente - todas as vezes que se
depara com uma questão ética. Porque, como o pai lhe ensinou, a ética é
simplesmente uma questão de certo e errado. Colocá-la em prática é que é
difícil. Agir corretamente, quando se está sendo observado, é uma coisa.
A ética, porém, está em agir da mesma forma quando ninguém está nos vendo.
Essa conduta reta só é possível quando, desde criança, aprendeu-se a
devolver o peixe à água.
(Desconheço o autor)
A ética se refere àquelas razões universais que servem
para manter nossa dignidade perante qualquer situação,
seja ela benéfica ou adversa. Ela não é um patrimônio, mas
uma prática que, ou está presente ou simplesmente não está.
Isso significa que por mais que uma pessoa tenha sido ética
no passado,se ela não continuar agindo assim, a sua ética
será apenas uma memória.
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
Segunda-feira, Outubro 04, 2004
São Francisco de Assis
Há algo de tão inigualável em Cristo! É natural: da mesma maneira como há
falsas alvoradas antes da alvorada propriamente dita, da mesma maneira como
há dias de inverno tão repentinamente iluminados pela luz do Sol que levam o
açafrão a prodigalizar sua cor dourada antes da época, fazendo com que algum
pássaro tolo chame sua fêmea para construirem o ninho nos galhos desprovidos
de folhas das árvores, assim também houve cristãos antes do Cristo. Devemos
ser gratos por isso.
É uma pena que não os há mais desde então. Abro uma exceção,
São Francisco de Assis. Na hora do seu nascimento, D'us lhe deu alma de poeta;
e quando ainda era muito jovem, contraiu núpcias místicas, tomando a pobreza
como noiva.
Com alma de poeta e corpo de mendigo, São Francisco não achou difícil trilhar o
caminho para a perfeição. Ele entendeu Cristo, portanto, tornou-se como Ele.
Oscar Wilde
Publicado por Nuvem
Nebulosas:
|
|
Powered by
Template obtido em
Joanie Madden
"The Immigrant"
Links
Aldeia
dos Anjos
Alma Indecente
Bambu Oco
Blue Shell
Brisa Poética
Caderno de Sonhos
Canis Lupus
Chandra
Clave de Lua II
Comunicação Transgressora
Diafragma
Docemaior
Ela nua é linda
Escudo do Leste
Garden of Eden
Lakota
Lua Nua
Marromeno
O Castelo de Thor
Olho de Odinn
Pensamentos da Brisa
Peregrino Aprendiz
Quero Acreditar
Revelações
Spicy Gal
Território Neutro
Todos os Sentidos
Viajante
Voz do Vento
Seja Solidário:

Arquivos
Principal
|