Quinta-feira, Julho 31, 2003





TOCANDO EM FRENTE

Maria Bethania



Ando devagar porque ja tive pressa
E levo esse sorriso porque ja chorei demais..
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe?
Eu so levo a certeza do que muito pouco eu sei..
E nada sei..
Conhecer as manhas e as manhãs...
O sabor das massas e das maçãs...
É preciso amor para poder pulsar..
É preciso paz para poder sorrir..
É preciso chuva para florir..
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente..
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada
Eu sou...e pela estrada eu vou...
Conhecer as manhas e as manhãs...
O sabor das massas e das maçãs...
É preciso amor para poder pulsar..
É preciso paz pra poder sorrir..
É preciso chuva para florir..
Todo mundo ama um dia..todo mundo chora..
Um dia a gente chega..o outro vai embora..
Cada um de nós compõe a sua historia..
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz....
Conhecer as manhas e as manhãs...
O sabor das massas e das maçãs...
É preciso amor para poder pulsar..
É preciso paz pra poder sorrir..
É preciso chuva para florir..
Ando devagar porque ja tive pressa
E levo esse sorriso porque ja chorei demais..
Cada um de nós compõe a sua historia..
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz...de ser feliz..


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Quarta-feira, Julho 30, 2003





Quem não deposita fé no amor se torna incapaz de brincar com a vida. O amor é a mais séria brincadeira que há entre o céu e a Terra, o divino atrevimento de apostar naquilo que não se explica, mas que se sente.

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Terça-feira, Julho 29, 2003





Ao querido Caninus Lupus



AMIZADE


Elo de amor que realça e vivifica todas as relações entre os seres.

É o mesmo que o bem querer mútuo, em que a busca pela afinidade e a verdadeira afeição se fazem perceber de lado a lado.

O sol sempre brilha nos corações quando ocorre um espaço para onde os amigos se reúnem.

Amizade! Sopro de vida e alento em nossas almas. O sofrimento se desfaz na presença do amigo, tal como a nuvem se dilui em copiosa chuva.

Amizade! Brota a esperança em nossos corações, tal como a semente germina à luz do sol, rasgando o solo, revelando a vida que sempre quer se expressar.

Amizade é o mesmo que amar, amar, desinteressadamente amar, em que o bem-estar do semelhante se coloca em primeiro lugar.

Quem ama possui uma luz, quem tem amigos encontrou um tesouro, quem é amigo encontra em todos os corações um grão de ouro.

Amizade é o caminho pela estrada do coração, em que olhamos na mesma direção em busca da mesma luz.

Amigo é aquele que sorri com a vitória alheia, e deixa rolar as lágrimas pelos sofrimentos dos outros. É aquele que torce e vibra pelo sucesso de todas as pessoas, como se isso fosse o seu próprio sucesso.

Amizade, enfim, é estabelecer na Terra o paraíso que Deus firmou no céu.

Amizade é o exercício do ato de amar.

Gelson M. dos Santos Filho









Um ano mais de vida
quis dar-vos o Senhor,
e deu-vos fiel guarida,
por vosso imenso amor.

De coração dai graças
ao vosso Eterno Pai,
pois mais um ano passa,
a Deus mil graças dai.



FELIZ ANIVERSÁRIO!
Um grande beijo...





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Segunda-feira, Julho 28, 2003





AS TRÊS ORAÇÕES

Irmão X


Instado pela assembléia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese:

-- Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países...

"Em grande bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens, pediram a Deus que lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes. A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouví-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do veículo que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu. Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições.

Decorrido muito tempo, lenhadores invadiram o bosque selvagem e as árvores, com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas, foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis. Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir, com paciência e humildade.

Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa!...Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande côcho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construia barcos por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida pra servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores. As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixa às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham...

No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas...

A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente mais alto do Mundo; a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de barca valente e pobre, fôra o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente numa cruz, em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial...

Simão silenciou, comovido. E, depois de longa pausa, terminou a entremostrar os olhos marejados de pranto:

-- Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces. No entanto, precisamos cultivar paciência e humildade para esperar e compreender as respostas de Deus.


mensagem recebida por Francisco Cândido Xavier

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Sábado, Julho 26, 2003





Como a menor gota d'água tirada do oceano, contém todas as qualidades do oceano, assim, o homem separado em consciência do Infinito, contém em si a sua semelhança; e como a gota d'água há de voltar finalmente, pela lei de sua natureza ao oceano e perder-se em suas silenciosas profundezas, assim, o homem, pela lei infalível de sua natureza, há de voltar enfim, ao seu manancial e perder-se no grande oceano do Infinito.

James Allen

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Sexta-feira, Julho 25, 2003





A MÃE DA SABEDORIA...


"A semente sintetiza energia capaz de reproduzir a história da criação: por milagroso mistério transforma o sono milenar do mineral em vida. O espírito é uma semente, cuja energia sintetiza a história do próprio Universo e, tal como Midas, é capaz de transformar o metal bruto em ouro, o homem em Deus ( Jo : 10-34 )."

Um desses dias surgiram muitas lagartas no quintal de casa. Algumas esconderam-se em lugares estratégicos. Com o tempo, reparei que ficaram quietas, paralisaram-se num cantinho, morreram!.

Assim como a paciência do tempo vai pouco a pouco moldando as belas dunas de areia, pela suave brisa, aquele corpo peludo foi sendo modelado numa forma curva, o casulo.

O tempo, outra vez, com infinita paciência foi fluindo, imperceptivelmente. Nada alterava aquele caroço de caju. O casulo era uma pedra morta. Inalterável, tal qual um mineral. O tempo flui. O tempo passa.

Uma plantinha cresce. Você olha para ela e não vê o movimento de crescimento, porque estamos acostumados à impaciência. Os olhos do tempo, sim, estes vêem o movimento.

E o casulo? Que mistério! Nem o tempo o vê mover-se. Ele, realmente parece morto. Contudo, a Mãe da Sabedoria está urdindo invisível transformação naquela pedra de taturana.

Quando menos se espera, o que era pedra, milagrosamente transforma-se no mais poderoso símbolo da criação, a borboleta, ente alado para lembrar o mais expressivo atributo da divindade: a liberdade, a superação dos limites físicos, o voar. A borboleta, além de representar a imponderabilidade do belo, evidencia o poder o espírito de recusar a escravidão à lei da causalidade.

Isso também lembra o que o Nazareno dizia: o homem está acima da lei, porque possui a graça.

Sim, espírito amigo, aventureiro do saber (guarda segredo!): a chave da sabedoria, o talismã do domínio da vida, a porta que se abre para o vôo da liberdade chama-se paciência.

Aquele que vê com os olhos da Sabedoria não sofre porque a feiosa e peluda taturana não se transforma logo em borboleta pois o Eterno transmite-se pela dádiva da paciência. O tempo é o rio que mansamente nos leva através da aventura extraordinária do saber, da liberdade, do vôo de Deus.

Observa, pacientemente; com o tempo as águas do rio eterno sempre retornam a seu nível. Assim, também, o oceano da paciência nos banha com o discernimento: porta da paz criadora da Fonte Incriada e Eterna.

Aprende, espírito amigo, o fluir do tempo guarda a Mãe Sábia, que tudo possui, que tudo revela. Como dizia o Espírito da Verdade, nada há encoberto que não venha a se revelar, nada há escondido que não venha à luz.

Aprende, espírito amigo, pássaro aventureiro do saber: que força move todas as coisas? que força mantém o céu e a terra, se não o poder criador, de onde provém a força transformadora de cada instante?!!!

Aprende, espírito amigo, aventureiro do saber: assim também o espírito humano contém esta graça, o poder que cria, o dom do perdão, a dádiva da renovação.

Perdoar é o equivalente psíquico da transformação transcedental da terra em vida, energia potencial gratuitamente presente na semente.

Hoje é o primeiro dia da eternidade e não o derradeiro dia da alma.

Escolhe a liberdade, usufrui da graça, perdoa, renova, vive, ouve a canção de Deus e dança a única dádiva, que tudo justifica: um momento consciente de alegria, de generosidade, pois não nos foi dado um espírito de verme, mas de coragem, de sabedoria, de amor.

Só o coração é capaz de ouvir a voz de Deus. Abre pacientemente os olhos do espírito. Vigia, aprende!

Apolíneo Tao




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Quinta-feira, Julho 24, 2003





Uma dor que tua alma transforma em doçura, em indulgência, em resignado sorriso, é uma dor que não retorna sem vir acompanhada de ornamentos espirituais; e uma falta ou um defeito que enfrentes cara a cara é uma falta ou um defeito que já não te pode prejudicar, nem a ti nem aos outros.

Maurice Maeterlinck

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Quarta-feira, Julho 23, 2003





"GANSOS"
Lições de Sabedoria


À medida que cada pássaro bate suas asas, cria-se uma força ascendente para o pássaro seguinte. Voando em "V", a formação de gansos consegue ampliar em 71% a sua autonomia de vôo, quando comparada com a autonomia de um pássaro só.
LIÇÃO: Pessoas que compartilham a mesma direção e senso de comunidade podem chegar aonde desejam mais rápido e mais fácil porque "viajam" com confiança recíproca.

Sempre que um ganso sai da formação, ele sente a resistência do ar e a dificuldade para voar sozinho. Com isso, ele volta rapidamente à formação para aproveitar a força ascendente do pássaro à sua frente.
LIÇÃO: Se tivermos o mesmo bom senso dos gansos, ficaremos em "formação" com aqueles que estão a frente e seguindo para onde queremos chegar (aceitando mais facilmente a ajuda dos mesmos e dispostos a ajudar aos outros).

Quando um ganso líder se cansa, ele faz um "rodízio" com outro ganso, integrando-se de volta à formação.
LIÇÃO: É vantajoso trocar de papel com outros ao desenvolver tarefas difíceis, compartilhando a liderança. Tanto faz se forem pessoas ou gansos, somo todos interdependentes.

Os gansos mais atrás na formação gritam para encorajar aqueles que estão à frente a manterem a velocidade.
LIÇÃO: Temos de ter certeza que os "gritos" do pessoal de trás sejam realmente encorajadores e não apenas "gritos"

Quando um ganso adoece ou é ferido, dois gansos saem automaticamente da formção e acompanham o pássaro ferido até o solo para protegê-lo. Ficam com ele até que ele se recupere e possa voar novamente ou morra. Após isso, sozinhos, alcançam seu grupo ou se juntam a outro grupo de gansos.
LIÇÃO: Se tivermos a mesma capacidade dos gansos, nós também ficaremos juntos, tanto nos momentos de dificuldades como nos momentos em que estivermos fortes.

Milton Olson

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Terça-feira, Julho 22, 2003





O VALOR DA PACIÊNCIA


Quando lançamos uma semente na terra, devemos esperar que o sol, a chuva, e os elementos nutrientes do solo façam seu trabalho. A semente não brota em poucos momentos, como num passe de mágica. Precisa de dias, semanas e, muitas vezes, meses , para abrir as maravilhosas possibilidades do interior que possui. Qualquer tentativa da nossa parte para apressar isso, aumentando as regas, enriquecendo demais o solo, ao invés de propiciar o progresso da semente irá retardá-lo, e pode até tolher o crescimento ou fazê-lo de má qualidade.

Tudo na vida tem um ritmo e uma vibração naturais. Não se pode mudar o compasso de um foxtrote para uma valsa e esperar que ele se mantenha um foxtrote. Não se pode dar a um automóvel excesso de gasolina sem entupir o carburador. Não se pode correr com o máximo de velocidade, constantemente, sem chegar a sofrer uma crise nervosa ou uma perturbação física.

Ponha isso em sua mente: o universo não tem pressa. Dispõe de todo o tempo do mundo. Seus processos de criação caminham eternamente. E nós, que nascemos com esse poder criativo interior, temos agido como se duvidássemos da sua existência ou como se não tivéssemos noção dela.

Desde que saibamos, sem sombra de dúvida, que estamos realmente ligados ao universo -- que o poder criativo dentro de nós é o mesmo poder criativo que permeia todo o tempo e todo o espaço --, então uma nova paz nos envolverá ao compreendermos que nos é possível ter o apoio desse poder, que ele nos amparará, mantendo nossa mente e nosso espírito eternamente jovens e vitalizados. Nosso corpo pode ter idade, já que se relaciona com o mundo físico em que agora vivemos, mas mesmo nosso ser físico será tão influenciado pela nossa atitude mental que envelhecerá com graça, como um fruto amadurece na árvore.

Existe uma lei mental que trabalha automática e impessoalmente. Não tem favoritos. Responde àqueles que sabem como operá-la para seu próprio bem. E essa lei mental cuida de que tudo quanto a criatura realmente fez por ganhar e mereceu lhe seja trazido. Sei que esta declaração vai levá-lo a olhar para trás, para a sua vida, e dizer: "É assim? Eu fiz juz a muito mais do que recebi e realmente tive da vida. Mal recebi o que de fato mereço. E veja Fulano de Tal! Veja como tem dinheiro. E trabalhou para isso? Não. Não há nada justo nesta vida. Deixe de me contar coisas!"

Espere um momento. Contenha esse lado impulsivo de sua natureza. Relaxe, e vamos lançar uma olhadela para a vida e sua relação com ela sob um ponto de vista destituído de preconceitos. Vamos analisar a situação.

Em primeiro lugar, é sempre um grande erro comparar-se, e às suas condições, com outras pessoas. Como pode alguém, do lado de fora, ter verdadeiro conhecimento dos próprios sentimentos e dos esforços que uma pessoa fez para obter o que tem na vida? Talvez um estranho nada possa ver à superficie que indique seu merecimento quanto ao que teve e o que tem. E talvez diga: "Vejam Fulano de Tal! Como as coisas caem no colo dele! Já viram uma coisa assim? Mas eu tenho que trabalhar para viver."

Claro está que você se ressintiria desse comentário porque cada qual gosta de sentir que tem direito a ter o que tem. Não se engane a esse respeito -- todos pagamos um preço, física e mentalmente, por tudo quanto vem ter conosco nesta vida. E a única felicidade duradoura é a felicidade atraída pela correta atitude mental.

Tenha paciência. Não lhe podem ser negadas as coisas reais da vida! Mas perca o hábito de invejar os demais, de pensar que eles têm, aparentemente, muito, enquanto você tem pouco. Na verdade, pode ser que tenham mais do que eles. Conheci pessoas ricas que teriam dado grande parte de sua fortuna para poderem viver com simplicidade, mas a sua posição social as impede disso. Não podem sair de sob os faróis. Você considera isso uma felicidade?

Seja paciente! Deixe que os ricos tenham sua riqueza. Não se deixe iludir pelos sinais exteriores de felicidade. O rico que é realmente feliz ganhou essa felicidade desenvolvendo a personalidade para dominar a fortuna ao invés de permitir que a fortuna o domine. Mas você é, presentemente, senhor das condições e circunstâncias que o rodeiam? Se não é, então todos os seus sonhos e desejos de ter o que pensa que outras pessoas têm nada representarão.

Seja paciente! Todo progresso bom, que vale a pena, toma tempo. Há um velho ditado: "Roma não foi feita num dia." Há um outro ditado que diz: "Tudo vem ter com quem deseja, mas espera".

Seja paciente! Uma mãe em expectativa carrega seu filho no ventre e está feliz à espera do término dos nove meses, quando ele chegará. Um homem tem uma idéia para um novo negócio e trabalha nisso noite e dia, essas noites e esses dias estendem-se durante anos, antes que uma grande organização, empregando milhares de homens e mulheres, finalmente entre em funcionamento! Tudo acontece no devido tempo.

Aprenda a relaxar, aprenda a não levar a vida demasiadamente a sério, aprenda a apoiar-se nesse poder interior criativo que transforma suas imagens mentais em realidade. Aprenda a ser paciente porque não pode forçar esse poder criativo. Ele trabalhará rapidamente por você apenas se suas imagens mentais do que deseja forem nítidas e claras. Mas, se tentar forçar alguma coisa a acontecer, e sinal de que receia que não possa acontecer.

Se estiver realmente confiante, se sabe que ganhou o direito de ter o que deseja, pode ficar relaxado e paciente a esse respeito, pois é certo que o poder interior criativo irá trazê-lo.

Harold Sherman

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Segunda-feira, Julho 21, 2003




Numa reunião de Poderes Celestes discutia-se o tema: Quem merece o título do melhor consolador dos aflitos?

Sou eu, exclamou o Sono; porque o sopro do meu alento faz parar toda a dor e esquecer a infelicidade e a miséria.

Para tornar a aparecer, quando o teu protegido acordar? Zombou o Amor. Não, meu amigo, eu é que sei consolar. Meu abraço e meu beijo são o melhor consolo para os humanos.

Não concordo, protestou a Esperança. O teu consolo é de efeito pouco durável. Quantas são as vítimas dos teus beijos, que depois duma felicidade efêmera caem em situações desesperadas! Eu sim, consolo a todos os aflitos, apontando-lhes um melhor porvir.

Estais enganados, disse o Tempo. O melhor e o mais durável consolo é o que eu dou. Eu faço esquecer os males passados como o Sono; gozar a felicidade como o Amor; dou a melhora no futuro que a Esperança pode só prometer.

Toda a assembléia achou justo o que o Tempo dizia, e conferiu-lhe unanimemente o título de melhor consolador.

Francisco Valdomiro Lorez






O tempo, como o vento, seca as lágrimas; como a água, tudo devolve; como o fogo, reduz as coisas a cinzas; como o Sol, tudo esclarece.

Aclara o confuso, descobre o recôndito, encontra o perdido, propicia a tolerância, reconcilia os inimigos, põe à prova o amor e a amizade, cega e confunde os ambiciosos, abate o orgulho, extingue as ilusões, dá conformidade.

Quem se joga contra ele, fracassa. Quem o aguarda, se fortalece, e o que o toma como aliado, estabelece comércio com a sabedoria.


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Domingo, Julho 20, 2003





Entendimento


Há um meio pelo qual posso melhorar meu relacionamento com os familiares, companheiros de trabalho e demais pessoas.

Há um meio de aprimorar o conhecimento de mim mesma, para aceitar-me como sou, e aos outros como eles são. Esse meio é a compreensão.

É inútil aborrecer-me com minhas próprias falhas. Tomo consciência delas e vigio para ir eliminando sua automática repetição. Também não me entristeço com os deslizes dos demais ou com situações aparentemente injustas. Sempre me volto a Deus em prece para compreender e aceitar as pessoas e as coisas como elas são, esforçando-me, de minha parte, para não me envolver negativamente, dando, assim, o melhor exemplo.

O entendimento é, de outro lado, o meio pelo qual eu aprofundo o consciente intercâmbio com o Divino interno, a fim de perceber e receber forças para fazer-lhe a vontade.

Oro por entendimento. Compreendo que Deus está cuidando de tudo. Não há outro poder. Somente o que Ele é e exprime acabará subsistindo. Tudo o mais que Ele não plantou, não vingará.

"Dá, pois, a Teu servo, um coração compreensivo." ( I Reis, 3:9 )

(autor desconhecido)


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Sábado, Julho 19, 2003





O Jardim Encantado


A menina sentiu uma "Presença Augusta" ao seu lado, que lhe sorriu bondosamente e lhe disse:

-- Vou conduzir-te a um "Jardim Encantado", onde há flores maravilhosas, que representam grandes virtudes, e que se transformarão em seres humanos, para te darem proveitosas lições. Estarei contigo, embora nem sempre me possas ver.

Além de muito belo, limpo e ordenado, o Jardim tinha um estranho encantamento e uma luz difusa, que empolgava e o enchia todo. À entrada viu a menina uma gigantesca flor dourada que parecia guardar a porta dum labirinto. Ao aproximar-se, ela se transformou num gentil rapaz, que graciosamente a tomou pela mão, conduzindo-a pelas emaranhadas ruelas do labirinto, contornando-o de tal maneira que logo se encontraram do outro lado.

Admirada, a menina perguntou ao rapaz como tinha conseguido encontrar tão facilmente o segredo do labirinto. E o jovem disse-lhe:

-- Eu represento o DISCERNIMENTO e usei-o para distinguir o verdadeiro do falso e o útil do inútil. E assim falando desapareceu.

A menina encontrou-se, então, dentro de uma gruta cheia de pedras preciosas, que valiam uma fortuna. Notou ali muitas florzinhas azuis que, lentamente, se transformavam em pessoas que se detiveram contemplando as maravilhosas pedras. Na gruta não havia nenhum guarda, e a menina pensou que essas pessoas fossem apanhar essas pedras, com as quais ficariam ricas para o resto da vida. No entanto, ninguém lhes tocou; apenas contemplavam essas maravilhas, como artistas, recreando-se com a sua extraordinária beleza e foram-se afastando lentamente, sem pensarem sequer em se apossar das mesmas.

As flores azuis representavam o DESAPEGO dos bens terrenos, o que foi mais uma proveitosa lição para a menina.

Saindo da gruta, a menina encontrou-se junto de uma macieira, carregada de maçãs. Um plantinha humilde que lá estava, transformou-se numa menina que começou a apanhar as maçãs, guardando-as dentro de um cesto. Quando este estava cheio, virou-se subitamente derramando as maçãs pelo chão. A menina contemplou atentamente a formosa criança que sem se pertubar, sem mostrar o mínimo sinal de cólera ou impaciência, curvou-se e pacientemente, colocou novamente dentro do cesto todas as maçãs.

Foi a terceira grande lição -- a PACIÊNCIA.

Prosseguindo, nossa heroína encontrou-se junto dum precipício e viu um gatinho branco, descansando mansamente junto de uma flor vermelha. De repente, apareceu um gigante que metia medo e que com um dedo transformou a flor vermelha num franzino rapazinho, dizendo brutalmente:

-- Ou matas este gato ou te atiro precipício abaixo.

O rapazinho, acariciando suavemente o gatinho, respondeu negativamente, com toda firmeza. O gigante insistiu colericamente, até que o agarrou pelo braço e o empurrou para o precipício. O rapazinho deixou-se levar com um imperturbável e confiante sorriso, o que deixou muda de assombro a nossa heroína, que tremia toda. Subitamente, o gigante desapareceu e o rapazinho transformou-se novamente na graciosa flor vermelha que representava a CORAGEM.

Em seguida, a menina encontrou-se sentada debaixo de uma árvore frondosa, e ficou a contemplar o que a circundava. Viu então muitas flores de vários matizes. Repentinamente essas flores tomaram vida e transformaram-se em várias pessoas laboriosas, fazendo os mais variados misteres. Olhando com muita atenção, viu todos esses seres, auxiliando-se mutuamente, mas deixando sempre a mais completa liberdade de ação a cada um. E, então, a menina recebeu mais uma lição. Deve-se ajudar os outros a levar suas cargas, mas nunca carregá-las.

Logo após, continuando a passear pelo Jardim, a menina encontrou um velhinho sentado, lendo um livro que parecia muito interessante, a avaliar pela atenção que ele lhe dedicava. Após algum tempo, a menina pôde compreender o conteúdo do livro que explicava o significado de todas as religiões e os erros dos homens e as suas faltas. Olhando atentamente para a fisionomia do velho, a menina percebeu claramente um sorriso de muita compreensão e perfeita TOLERÂNCIA a desenhar-se-lhe no semblante.

Continuando o passeio, a menina viu que todas as flores se animavam, giravam, volteavam-se e dançavam, com grande alegria; todas cultivavam o CONTENTAMENTO. Então ouviu uma voz que lhe disse:

-- Devemos cultivar a alegria e estas flores mostram-nos que devemos estar sempre contentes em todas as circunstâncias.

Repentinamente, a menina encontrou-se na base de um monte muito alto e íngreme, e vários peregrinos aprontavam-se para começar a subi-lo. Sabiam que no cimo do monte havia uma fonte com água muito fresca que curava todas as doenças. A menina ficou a contemplar essa escalada, que era longa e muito penosa, mas os peregrinos cultivavam a PERSEVERANÇA, e prosseguiram para a frente, apesar de tudo.

Foi outra grande lição!

Encontrou-se depois a menina dentro de uma casa onde uma pobre mulher parecia exalar o último suspiro. Uma florzinha humilde que lá estava transformou-se numa gentil criança, que ajoelhando-se diante de um crucifixo, orou com toda confiança, pelas melhoras da pobre mulher. A CONFIANÇA em Deus da graciosa criança, fez um milagre. Lentamente, a mulher foi melhorando e sentou-se na cama completamente curada.

A menina retirou-se maravilhada e continuou o seu passeio.

Chegou assim, junto da "Flor mais bela" que lá havia, e que ficava num ponto sobranceiro; era uma flor gigantesca e maravilhosa; as suas pétalas tinham várias cores que mudavam incessantemente, sobressaindo notavelmente um suavíssimo lilás que circundava tudo. Viu, então, a menina que a extraordinária Luz que enchia todo o Jardim, vinha preciosamente dessa Flor, que era "mais bela e a mais importante" do Jardim. Nisto, a Presença Majestosa, que a conduziu àquele lugar encantado, fez-se visível e disse-lhe:

-- Esta Flor maravilhosa representa o AMOR, que é a mais importante de todas as qualidades humanas. É ela que dá vida e o calor a todas as outras, harmonizando-as e ligando-as numa Maravilhosa Unidade. Todas participam da sua Magnificente Luz, tornando-se mais belas, sob seu influxo. Guarda no teu coração, minha Menina, a grande lição deste Jardim Encantado, e cultiva todas estas flores no escrínio sagrado do teu ser. E com estas palavras, com dulcíssimo sorriso no semblante, a Presença Augusta afastou-se lentamente da vista da menina, que se sentiu completamente transformada...

Então , ajoelhou-se, e erguendo as mãos ao céu, em sublime arrebatamento, enquanto que dos seus olhos maravilhados jorravam lágrimas, agradeceu ao Senhor.

Maria Honorina Gonzalez

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Sexta-feira, Julho 18, 2003





...louva o céu azul que te imprime euforia ao pensamento, mas agradece também à nuvem que te garante a chuva, mensageira do pão...(Emmanuel).

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Quinta-feira, Julho 17, 2003





Nada está longe de ti.

As distâncias!

Que valem as distâncias?

Bem sabes que as distâncias existem somente para o teu corpo.

A tua alma se acha perto de todas as coisas. Melhor ainda: tua alma está na essência de todas as coisas.

Fora do teu corpo, nem a luz com a sua velocidade igualaria o vôo do teu pensamento.

Se bem olhares, tudo virá ao teu alcance.

Não há estrela a que não possas chamar tua.

Move teu pensamento. Acostuma-o aos altos vôos progressivos. tenta o recorde da altura...

Deixa que ele vá e venha através do universo.

Cada dia, assim, melhor verás a aparência mentirosa da tua jaula. E com a noção de tua liberdade, aumentar-se-te-ão as ânsias de posses eternas.

E há, por certo, uma posse que se te oferece a cada instante e que não tem limites: a posse de Deus.

Aceita-a



Amado Nervo

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Terça-feira, Julho 15, 2003





O PODER DO SOM


Existe uma frase mística que diz: "Há uma paz que ultrapassa o entendimento; mora no coração daqueles que vivem no Eterno". Vamos procurar compreendê-la e sentí-la por alguns instantes. Tentemos penetrar no reinado do Espírito, neste reinado onde existe um intenso silêncio; é um silêncio onde está latente a Vida por se manifestar. É o reinado do Absoluto. É Parabraman como dizem os hindus; é o Incognoscível, Ilimitado, Incompreensível, portanto, para nossas mentes limitadas.

Não podemos compreendê-LO, e nem mesmo sentí-LO, pois vivemos num mar de tão grande movimento, que seria difícil perceber a grandiosidade d'Aquele que é paz, harmonia, plenitude. Mas é lógico que o Manifestado provém de Algo imanifesto, e então, se formos capazes de silenciar as nossas almas, perceberemos que existe esta "paz que ultrapassa o entendimento".

Como poderemos compreender ou sentir a música, se não formos capazes de silenciar as nossas almas? O ouvido e a vista são os sentidos que nos proporcionam elementos para compreendermos a arte. Mas não podemos sentí-la, se não formos capazes de diminuir a vibração de nossa alma. Há uma música em nós. Pela vibração contínua de nosso pensar e sentir, estamos transmitindo sons. Mesmo aparentemente silenciosos, cerrados os nossos lábios, e imóveis, somos um instrumento a vibrar continuamente. A vibração produz som; o som produz forma. Estamos, portanto, sempre em um mundo de som, de cor, de forma, criado por nós próprios.

Somos artistas criadores, a todos os momentos. Criamos formas belas e feias, emitimos harmonias suaves ou sons desconcertantes.

O criador desta arte é o nosso pensar e sentir. Mas quando formos capazes de realizar o silêncio interior, de limitar as vibrações desordenadas da nossa alma, sentiremos o Grande Artista que é o nosso Espírito imortal, centelha divina, fonte da verdadeira arte, a arte que provém d'Aquele que é o Grande Artista e de quem somos uma pequenina parte.

N'Ele vivemos, n'Ele nos movemos. Todo nosso anseio de evolução desapareceria, se fôssemos capazes de nos sumir em nós mesmos, e através de nós, que somos relativos e limitados, alcançar o Absoluto que está em todos os pontos do relativo e limitado. E então ouviriamos a verdadeira Música, a Música que é a harmonia universal.

Uma harmonia celestial vibra no universo em sons, em cores, em formas... É a manifestação da Divindade. No evangelho de S. João encontramos esta frase: "No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus". Refere-se ao som emitido pelo Grande Construtor que produziu movimento, e o movimento produziu vida, a vida que conhecemos com reflexo do silêncio e da paz. Já Platão dizia: "Deus geometriza". É a Sabedoria Divina manifestada. É o Grande Artista a tocar no Seu imenso órgão, que é o universo; é a Sua Voz que se reflete em nossos corações, enchendo o universo de harmonias celestiais, de coloridos maravilhosos, de formas criadoras.

Annie Besant diz que não pode haver movimento na matéria sem que produza vibração, e toda vibração é fundamentalmente som; e Suba Rao, quando fala do som da Palavra emitida como instrumento do Verbo, diz: "O universo inteiro é apenas a emissão da Palavra latente no Logos não manifestado, que constitui o Cosmos objetivo". O mesmo acontece com o homem. Nele existe o poder do som, sem o qual não poderia criar formas astrais e mentais, pois ele também é um pequenino construtor.

O som é construtor, conservador e destruidor. Como as boas vibrações edificam, as violentas desunem. As vibrações dos sons passam pelas formas as mais concretas, fazem-nas vibrar cada vez mais e desintegram-nas.

A música é um poderoso mantram. Há música cuja combinação de sons cria formas belas e harmonias suaves que penetram em nossa alma, levando-nos ao sentimento da Unidade. Há música que desintegra as formas; e quem já ouviu os cantos de Magia dos Candomblés, umbandas e quimbandas, sabe como estes mantrans repetidos em ritmo igual, destróem formas, realizando trabalhos de magia aplicados quer para o bem, quer para o mal.

A música é um tremendo poder. É um poder que reside em toda parte; é um conjunto de sons que estão sempre construindo e destruindo. Assoprando uma pequenina flauta de bambu, o yougue atrai aos seus pés, meiga e mansa, a serpente venenosa.

Gorgeando nos galhos de uma árvore, o pássaro inspira o poeta, enleva a nossa alma, transporta-nos ao céu. Percorrendo os dedos agéis num teclado, um ser humano, por mais simples e modesto, domina uma multidão. Rumorejando sobre pedras, uma pequenina cascata provoca êxtases de amor. O tique-taque de um relógio causa-nos tristeza; é a subconsciência limitada ao tempo. O ribombar do trovão provoca medo. Quanto o próprio raio não nos faz estremecer! É o poder do som a nos infundir pavor.

Sabemos que os pescadores, ao puxarem a rede, entôam uma melodia ritmada que acompanha o rumorejar das águas. Aquele som emitido por seus lábios, combinados com os sons produzidos pelas águas, aumenta a sua força, e a rede se torna leve. O cântico torna-lhes suave o trabalho, além de poético e encantador.

Como o som é construtor e destruidor, é também conservador. Existem mantrans que nos protegem; palavras sagradas que nos envolvem em ondas de harmonia e nos defendem do mal. Todas as escolas de ocultismo têm sua palavra de passe que nada mais é do que um mantram.

Podemos ser, a todos os momentos, instrumentos musicais. E aqueles que se dedicam à divina arte misturando os sons harmoniosos de seus instrumentos com as vibrações delicadas de suas almas, serão naturalmente cooperadores de Deus no Seu imenso plano de construção. Põem-se em contato com Gandarvas, os Anjos da Música. Quem conhece a Fraternidade dos Anjos, sabe quanto eles desejam que a arte seja a nota dominante na nossa civilização. A Fraternidade dos Anjos é a cooperadora na construção da forma, para a manifestação da Vida, e quer ser útil aos homens aprimorando-os na criação do belo, que é atributo de todos nós.

Quando ouvimos em silêncio interior uma peça musical, observamos um quadro, uma estátua, uma flor que desabrocha, uma pétala que cai, um pássaro que voa ou a criança que sorri, pomo-nos em contato direto com os Anjos e sentimos a realidade da frase: "Há uma paz que ultrapassa o entendimento; mora no coração daquele que vive no Eterno".


Cinira Riedel de Figueiredo

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Segunda-feira, Julho 14, 2003





Silêncio é recordar que toda palavra tem um hoje e um amanhã.

Silêncio é recordar que os conflitos se resolvem melhor calando que falando.

Silêncio é reprimir a injúria que ia escapar-nos e esquecer as que nos feriram.

Silêncio é recordar que seria livre hoje se não tivesse dito a palavra ontem e que a palavra de hoje será minha cadeia de amanhã.

Silêncio é recordar que se tivesse diferido uma hora apenas meu juízo sobre tal pessoa ou sucesso, nessa hora poderia chegar qualquer coisa nova que faria variar aquele juízo temerário ou cruel.

Silêncio é recordar que o simples fato de dizer o que os outros dizem é formar a avalanche que logo arrasta a reputação e a tranquilidade dos demais.

Silêncio é não queixar-se para não aumentar as penas dos outros.

Silêncio é dizer "fiz", em vez de "farei".

Silêncio é recordar que a palavra, ao pronunciar-se, leva uma parte da energia necessária para realizar a idéia que aquela encarna.

Silêncio é não expor a idéia ou o plano a meio da concepção, nem ler a obra em rascunho, nem dar como criatura viva o que é apenas anelo.

Silêncio é a semente e por isso germina.

Silêncio é a raiz e por isso sustem.

Silêncio é a seiva e por isso alimenta.

Silêncio é a palavra justa, a intenção reta, a promessa clara, o entusiasmo refreiado, a devoção que sabe onde vai.

Silêncio é o casulo onde a lagarta se transforma em mariposa, é a nuvem onde se forma o raio.

Silêncio é concentrar-se, seguir a própria órbita, fazer a própria obra, cumprir o próprio desígnio.

Silêncio é falar caladamente com sua própria dor e contê-la até que se converta em sorriso, em prece ou em canto.

Silêncio é falar com Deus antes de falar com os homens, para não arrepender-se de ter falado

Silêncio é meditar, medir, pesar, aquilatar e acrisolar.

Silêncio é, enfim, o repouso do sono e o repouso da morte, onde tudo se purifica, onde tudo se iguala e se perdoa.


Masferrer


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Sexta-feira, Julho 11, 2003





As pessoas comuns não têm mais o luxo de argumentar que são impotentes a respeito das decisões que governam a vida, até elas são atingidas pelas vagas que subvertem a normalidade de tudo. Apesar do desconforto dessa situação, nada melhor poderia acontecer, pois a alienação que as protege é, no fundo, um desrespeito pelos semelhantes e pelo planeta que habitam. Ninguém é vítima, ninguém é culpado, todos somos responsáveis, livres para decidir o destino, partes essenciais de um organismo infinito, que se chama universo, e que precisa de sintonia fina para continuar sua viagem de evolução de consciência. As pessoas são comuns no que diz respeito aos padrões culturais, porém todas essenciais no que diz respeito à consciência do universo.

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Quinta-feira, Julho 10, 2003





Faze de teu coração uma chama, para iluminar misérias e espantar as trevas.

Faze de teu coração um santuário, para secar lágrimas e suavizar dores.

Faze de teu coração uma fonte, para refrescar esperanças e fazer com que se tornem novamente verdes as campinas do sonho.

Faze de teu coração uma taça e enche-a com o líquido de todas as tuas ternuras e deixa que ali venham saciar sua sede desde o raio de sol que atravessa furtivamente as sombras, o pássaro que envelheceu a prodigalizar seus gorjeios, a mariposa cansada de percorrer desertos, até a fera que ainda traz nas faces o sangue úmido de sua última vítima.

Faze de teu coração um oásis e deixa que a ele venham os peregrinos do ideal, os perseguidos, os incompreendidos, os que conseguem aprisionar um pedaço do crepúsculo em suas mãos, e os que expuseram suas vidas para salvar a estrela solitária que se afogava no fundo maldoso de um lago aparentemente plácido.

Faze de teu coração uma colina e deixa que venham contemplar de seu ponto mais alto a curva majestosa do céu, o perfil sinuoso das montanhas, a atitude reverente das árvores, na hora mística do "Angelus", todos aqueles que trazem os olhos vendados pela sombra de suas paixões e pelo cendal de sua ignorância.

Faze de teu coração um belo caminho, suave e melodioso, para que por ele cruzem os que ainda não tenham sabido descobrir na vida seus encantos, nem na morte suas expectativas.


Karl Guire

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Quarta-feira, Julho 09, 2003


"A Mãe Natureza nos coloca onde estamos sendo necessários. Não existem distancias nem classificações. O amor apenas é... Apenas se faz e se basta.

Obrigado pela Ajuda em divulgar o nosso clic solidário da Apae Lagoa Vermelha. O escudo beija-lhes as palmas das mãos.. com carinho admiração e respeito."



~Bugra~





Querida Bugra,

É uma honra receber tão valioso award, mas honra maior ainda é ter sua amizade

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Terça-feira, Julho 08, 2003





O PRAZER DE VIVER


Toda natureza é um exemplo de serviço.

Serve a nuvem. Serve o vento.

Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu; onde haja um erro que emendar, emenda-o tu; onde haja um esforço ao qual todos se esquivam, aceita-o tu.

Sê aquele que apartou a pedra do caminho, o ódio dentre os corações e as dificuldades de um problema.

Tem a alegria de ser são e a alegria de ser justo; porém, tem , sobretudo, a imensa alegria de servir.

Que triste seria o mundo se tudo já estivesse feito, não houvesse um roseiral que plantar, uma empresa que empreender!

Que não te chamem somente os trabalhos fáceis! É tão belo fazer o que os outros se esquivam de fazer!

Não caias, porém, no erro de que só se faz mérito nos grandes trabalhos; há pequeninos serviços que são imensos serviços: adornar uma mesa, ordenar uns livros, pentear uma criança.

O servir não é apenas faina dos seres inferiores.

Há os que criticam, os que destroem; tu deves ser aquele que serve.
Deus, que dá o fruto e a luz, serve. Pudera chamar-se assim porque serve. E tem Seus olhos fixos em nossas mãos e nos pergunta a cada dia:

-- Serviste hoje? A quem? À árvore? A teu amigo? À tua mãe?


Gabriela Mistral



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Sexta-feira, Julho 04, 2003





Uma roupa de silêncio


Alguém me estende uma xícara de café quente, no exato momento em que o silêncio cobre meu pensamento. No balanço de perdas e ganhos, quanto vale ter quem lhe estenda uma xícara, a mão, a alma, quem lhe ofereça seus dias, divida com você o sonho e o desalento?

Há tanto ruído no mundo, tanto barulho nas ruas, nas casas, nas cabeças, tanta inutilidade nas palavras que se amontoam nas bocas e nos jornais, mas há tão poucos gestos que acompanham, em silêncio, o seu silêncio. Há tão pouco silêncio. Pudesse eu comprar em alguma loja que vende mistérios uma longa peça de silêncio. Fazer com ela uma roupa invisível, que me permitisse atravessar a cidade, olhar nos olhos os passantes, sem que eles soubessem que, envolta em minha roupa de silêncio, me protejo contra as buzinas, os gemidos dos falsos mendigos, os tiros dos verdadeiros assassinos, a conversa desconexa do chofer do táxi.

Com essa roupa iria sempre às cerimônias oficiais e sacudiria a cabeça em sinal de assentimento, como fazem os ministros elogiados, como fazem os subservientes, como fazem os canalhas. Imune estaria à conversa untuosa dos políticos, aos seus discursos cheios de amor à pátria, de ética, de convicções e sobretudo de promessas. Fecharia bem a gola quando falassem do futuro, de tudo que farão pelo bem de todos nós.

Usaria essa capa, quando assistisse ao telejornal. Veria mas não ouviria as bombas explodindo, porque os rostos sem voz são mais horrendos. Os gritos sem som melhor ouvidos. O mais eloqüente e longo grito que já ouvi está em um quadro, é o relincho de um cavalo bombardeado em Guernica. Ou terá sido uma mulher, que Munch pintou? No silêncio, creio que ouviria melhor o apelo dos civis que não sabem porque explodem suas casas, já que não foram eles que explodiram aquele café.

Exatamente aquele café que reconheci na televisão, em que me sentei num fim de tarde em Jerusalém, e ainda hoje, em silêncio, ouço os sinos e a voz dos muezzins que disputavam os fiéis, chamando-os a seus ritos, em suas igrejas. Jerusalém, quando ainda era a paz.

Tanta coisa eu ouviria, envolta em minha roupa de silêncio. Talvez ouvisse de memória alguma fuga de Bach, as cigarras que amanhecem o verão, as ondas das praias desertas e o vento que faz a volta nas ruínas de Delfos e que, ao que parece, fala. Dizem que trazia ao oráculo as notícias do futuro.

Também me lembraria do passado: um tango cantado por minha mãe e aquelas histórias da juventude, quando amor e amizade eram o assunto preferido, quando ninguém tinha medo de fracassar ou morrer pobre, no máximo de engravidar ou de broxar. Ou não saber viver, não ter uma vida rica em aventura.

Ouviria, sobretudo, depois de tanto tempo, a mim mesma. E você também, se vestisse sua roupa de silêncio, ouviria coisas sobre você que até hoje não se contou nem vai contar, que ninguém é louca de falar de coisas sérias no meio de tamanha balbúrdia.


Rosiska Darcy de Oliveira

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Quinta-feira, Julho 03, 2003

Mais um selo lindo, presente da querida Ana, de "Todos os Sentidos", blog que também recomendo a todos. Obrigada, Ana, pela deferência!



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Amar não precisa de palavras, mas de gestos e atitudes concretas. De que vale falar de amor, mas contradizer o discurso na prática? Quando o amor é verdadeiro, podemos negá-lo ou silenciá-lo, mas os gestos o confirmarão.

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Quarta-feira, Julho 02, 2003

Deixo aqui registrado meus agradecimentos pelo maravilhoso award, recibido de Grace, do blog + Eu +. Obrigada, querida amiga.




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Uma tarefa digna


Nos sentimos feitos para a eternidade, porém, sofemos porque tudo é transitório. O misterioso tempo que experimentamos é feito de eternidade e por isso pressentimos sua realidade, mas a vivência cotidiana é composta de milhares de assuntos diferentes e, como bem disse o Buda antes de morrer, todas as coisas compostas são transitórias. Contudo, deve haver alguma forma de atualizar essa eternidade, já que na mente criamos desejos, e todos os desejos têm por destino realizar-se. No amor, por exemplo, as pessoas vão e vêm, porém o amor foi e sempre será o mesmo, em todos os relacionamentos da história e do universo. Buscar a eternidade oculta nas coisas impermanentes é uma tarefa digna da natureza humana.

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