Quarta-feira, Abril 30, 2003




A vida foi feita para brincar, inclusive com os erros. Criticar os erros de outrem coloca sua alma na posição de quem presume fazer tudo muito melhor. Duvide disso, nada é fácil para ninguém. É hora de brincar!

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Terça-feira, Abril 29, 2003





Antes que eles cresçam

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas, e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridência alegre e, às vezes com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente. Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?

Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?

A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica, e desobêdiencia civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça mas apareça. Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros.

Ali estamos, com os cabelos esbranquiçados. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas. E eles crescem meios amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam.

Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas. Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.

Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores. Não os levamos suficientemente ao parque, ao shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado.

Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto. No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos. Sim, haviam as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, pedidos de chicletes, e sanduíches e cantorias sem fim. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados. Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas de repente morriam de saudades daqueles "pestes".

Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) pra que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade. E que a conquistem do modo mais complexo possível.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso é necessários fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.


Baseado no texto de Afonso Romano de Sant'Anna

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Reforce os laços de amizade que tenham se mostrado verdadeiros e elimine aqueles que sucumbiram ao tempo e às circunstâncias. Não se entristeça pelos relacionamentos perdidos, celebre aqueles que se afirmaram!

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Domingo, Abril 27, 2003





O amor liberta

O amor é um laço que não amarra, porque não é armadilha. O amor é um laço que estabelece a comunicação das almas que, beneficiadas com tal virtude, contagiam o mundo com seu entusiasmo. Quando você tenta prender uma pessoa, na verdade está prendendo também sua alma, e assim todo mundo perde seu bem mais precioso, a liberdade. O amor não precisa de amarras, pelo contrário, o amor é raio que liberta.

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Sábado, Abril 26, 2003





Três mandamentos para limpar a mente

Em pensamentos nos complicamos, e será em pensamentos que teremos de simplificar a vida, mas isso não acontecerá automaticamente. Teremos de assim decidir, e por um ato de vontade abrir a comporta do espírito para que a luz carregue as impurezas da mente, limpando-a. Para que isso aconteça, há de se guardar os seguintes mandamentos:

1. Evitar pensar em primeira pessoa; calar o discurso do Eu.

2. Evitar pensar sobre outrem com autoridade para criticar, insultar ou tramar vinganças.

3. Evitar que os pensamentos sigam além da situação presente, formulando profecias vãs ou se esbaldando em saudade do passado.

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Quinta-feira, Abril 24, 2003





Procurar o olhar amoroso


Os seres humanos procuram entre si o olhar amoroso porque a vida nada valeria sem essa realidade. Reconhecer olho no olho a alma companheira que compreende e que é compreendida, o tempo íntimo compartilhado com alma afim que apesar de diferente se torna amiga, testemunha e partícipe da existência, constatando que o amor é mais do que palavra, imaginação ou gesto. Não deve haver dúvidas, o que é justo nunca será folgado, e o amor quando consumado é definitivo como um corte de cabelo. Não haverá nunca lugar melhor que aqui e agora para realizá-lo, porque só o presente é o tempo definitivo do destino. O amor é a plena expressão do colossal planejamento cósmico que compreende todos os conflitos e lhes dá um toque de harmonia.

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Quarta-feira, Abril 23, 2003





Quando direcionas tua visão à luz que amanhece em teu coração, os anjos brincam ao teu redor.
Quando te permites viver a tua criança, os anjos colorem tuas mãos para que redescubras
os inúmeros arco-íris que despontam
a cada momento em que te decides por ti,
pelo teu caminho, pela tua história.
Os anjos vivem contigo
quando teu riso precede tua dor...
Reviram os teus hábitos antigos, dispondo-os, organizadamente, em teu passado,
para que assim, tu possas revigorar teu momento presente, preenchendo-o de luz.
Os anjos te despertam, não para o tempo,
mas para a ânsia que o teu coração traz de perceber
o amor através de todas as coisas, pois,
sabem os anjos que está no amor a oportunidade
de restabelecer a paz no mundo que te cerca.
Os anjos não te abandonam,
mesmo quando te sentes só.
Pois, para os anjos, a única coisa que importa
é a tua essência, e esta nem mesmo tua
poderosa vontade poderá transforma-la
em qualquer outra coisa que não a luz
que Deus colocou em ti.
Os anjos se guiam por esta luz que arde em teu ser,
e está nela as chaves que abrirão todas as portas,
todos os mundos, para que tu encontres a ti mesmo.
Portanto, não temas a vida.
Os anjos nada temem
por saberem que a única realidade a ser vivida
é o amor e este está em ti,
para sempre....
~beijos nas palmas de vossas mãos..bom recomeço!~
~Bugra~

Alguns desses anjos que nunca nos abandonam, disfarçam-se como amigos e nos emprestam sua força e coragem...vc é um deles...obrigada querida Bugra!

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Terça-feira, Abril 22, 2003





Saudade


Doce presença da ausência...
melancólica ausência que se faz presente...
Algo ou alguém que passou pelo caminho...
Alguém ou algo precioso que ficou, quando se foi obrigado a seguir, eis a dorida, no entanto dulçurosa expressão da saudade...
Nascida do amor é amor que se faz gratidão, enquanto é música de recordação na harpa dos sentimentos. Se arde em chama de desespero, é o afeto, ainda, que adoeceu pelo contágio do egoísmo, e enlouqueceu.

Uma saudade, porém, há, mais profunda e mais sutil, que veste a alma de quando em quando e não pode se expressa.
Faz-se melancolia e tinge-se de angústia.
Cenários, pessoas, ocorrências que demoram nos painéis subconscientes da alma e deixam escapar clichês de tristeza e dor, vindos dos longes dos tempos, expressam vivências queridas, amores que deixamos de merecer e permanecem à espera, enquanto no exílio do corpo, na Terra, o espírito deve crescer e seguir a esperança colorida que fulge nos movimentos da ação redentora.

As almas saudosas da Terra!
Marchai animadas e vivificadas pelo espírito do Cristo, rumando para o amanhã!
Vossos santos amores vos aguardam, reencontrar-vos-ão depois da lida áspera e da solitária jornada,
Não desanimeis!
À noite sucede o dia, à tristeza o júbilo, à soledade a perene união.
Saudade! -- presença do amor que seguiu adiante ou ficou aguardando por nós, Deus te abençoe!

Extraído do livro Heranças de Amor, Divaldo pereira Franco, ditado por Eros.

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AMIGOS


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o
amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus
amigos e o quanto minha vida depende de suas existências .
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não
posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem
noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu
equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em
síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando
daquele prazer ...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus
amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinicius de Morais

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Segunda-feira, Abril 21, 2003





Somos apenas um tosco e pálido reflexo da luz com que certos amigos especiais, por acréscimo de bondade divina, nos amparam na trajetória da vida.

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Domingo, Abril 20, 2003

RENOVAÇÃO

Sonia Rodrigues


A paixão, como todos sabem, é um período de transe, cegueira, no qual só o nosso objetivo conta, só o nosso desejo existe. A paixão é auto-centrada. Nos apaixonamos por alguém, mas esse alguém é um vulto difuso envolto por nosso sentimento.

A cegueira aguça os sentidos, o transe facilita manifestações de afeto, mas os dois estados, também, nos impedem de ver direito, de sentir, na medida, o que o outro lado mostra, diz e sente. Às vezes, nos apaixonamos por alguém que quer menos, às vezes, por alguém que se assusta e, até por quem não nos quer naquele momento.

A paixão pode evoluir até uma conquista e, estabelecida, se tornar um sentimento de mão dupla. A paixão pode não ser correspondida e desaguar num desastre. Quando isso acontece, o sofrimento é atroz. Com dor, começa a busca por culpados: "eu devia ter ligado menos, eu devia ter ligado mais, fui muito fácil, fui muito difícil, joguei duro em excesso, fui mandona, fui permissiva..."

É todo um ritual de expiação que, na melhor das hipóteses, um dia acaba e se volta para o exterior. É a malhação do Judas. "Aquele patife, canalha, mulherengo OU aquele mesquinho, sovina, enganador OU barrigudo, perna fina, mal educado..." Enfim, uma lista de pedradas, chutes, caneladas no ex objeto de desejo, com a incoerência embutida de que se nosso ex é tudo isso, o que somos nós, que aturamos apaixonadamente o dito cujo por um tempo?

Não tem jeito. Todo mundo passa, um dia, por esse processo de paixão cega, confusão e culpa, raiva e desprezo pelas "uvas verdes" que fogem das nossas mãos. É só dar errado demais. Pode acontecer também de dar muito certo e esse ajuste meter tanto medo que a gente começa a meter os pés pelas mãos para a paixão acabar rápido, mesmo que, para isso, acabe mal. Faz parte da vida conhecer essa nossa capacidade de ficar insano por algum tempo.

Algumas pessoas, no entanto, seguem o mesmo caminho sempre. Saem de uma paixão para outra, elegem um Judas para malhar hoje, outro amanhã e se desesperam porque na vida amorosa nunca é Páscoa.

Não precisa ser assim, é claro. A paixão pode ser cega, mas dá para esconder um pouco, disfarçar com lentes coloridas, enquanto se sente o pulso de quem nos atrai tanto. O transe é só mantê-lo em câmara lenta, pé ante pé e, principalmente, silencioso, porque palavras demais coladas a sentimentos e movimentos fortes põe os mais valentes para correr. De nós, os apaixonados.

É tempo, passado o jejum e o Sábado de Aleluia, de renovarmos estilos, rompermos padrões, dar adeus às cadeias que nos atam a esquemas tristes que não funcionam mais. É tempo de conjugar paixão com alegria.

Extraído do jornal "O Estado de São Paulo", Suplemento Feminino, Edição 20/04/2003.


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Sábado, Abril 19, 2003

Relacionamentos são dádivas espirituais para quem se orienta por boas estrelas, porém são tormentos para quem trata as pessoas como objetos.

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Sexta-feira, Abril 18, 2003





Volta


Volta.
Porque te quero sugar a ebulição
e a efervescência.
Porque preciso denegrir a tua ausência.
Volta.
porque o espaço oco permanece
sem teu espasmo louco.
Porque a vida desleixa e desmerece.
Porque falta seiva à flor
que oscila e pasma
e tomba a graça insana que se rasga.
Volta.
Para vestir a alma rala e nua,
assumir o êxtase,
renovar o sangue.
Volta, que me preciso tua.

Flora Figueiredo

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Quinta-feira, Abril 17, 2003





O grande valor dos sentimentos é a impossibilidade de escondê-los. Eles revelam a transparência da alma, que, como a água, sempre encontra o caminho por onde fluir. Podemos maquiar um sentimento, mas nunca ocultá-lo.

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Quarta-feira, Abril 16, 2003





Na Índia, havia um homem que todo dia pegava água de um distante poço para o seu chefe. Para levar a água, ele carregava nos ombros uma vara que tinha dois potes grandes pendurados em cada ponta. Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe. O pote rachado chegava apenas pela metade.

O pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição e triste por ser capaz de carregar apenas a metade da água. Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia a beira do poço:
- Estou envergonhado e quero lhe pedir desculpas.

- Por que? Perguntou o homem. De que você está envergonhado?

- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas a metade da minha carga e por causa de meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.

- Quando retornamos para a casa do meu chefe, quero que veja as flores ao longo do caminho, disse o homem.

De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho.

- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado? Eu, ao conhecer seu defeito, tirei vantagem dele. Lancei sementes de flores no seu lado e a cada dia que voltávamos do poço, você as regava. Por dois anos eu pude colher estas lindas flores para enfeitar a mesa de meu senhor. Se você não fosse do jeito que você é, ele não poderia ter uma beleza para dar graça à sua casa, explicou o homem.

Todos nós temos nossos próprios e únicos defeitos, mas basta tirarmos das nossas fraquezas a força que precisamos para adquirir resultados extraordinários em nossas vidas.

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Terça-feira, Abril 15, 2003





Um homem gripado

Danuza Leão

Homens doentes são apenas in-su-por-tá-veis, e não há amor no mundo -- nem paciência -- que faça com que uma mulher resista uma semana a um homem o dia inteiro em casa, e pior: gripado.

Primeiro, eles vão para a cama sem precisar, só para serem paparicados como crianças. Querem atenção o tempo todo e ai de você se não estiver to-tal-men-te disponível na hora -- nas horas, melhor dizendo -- que ele te chamar. São umas dez vezes por dia para dizer que está com frio ou calor, umas 15 para pedir que você ponha o termômetro -- coisa que nenhum sabe fazer sozinho --, umas 20 para saber se não seria melhor chamar o médico. É claro que ele não tem quase nada, e qualquer mulher, naquele estado, estaria saindo do cabeleireiro pronta para uma festa, mas eles não. Eles querem, precisam de atenção e proteção, ai, coitadinhos. E de preferência com você deitada ao lado, mas pronta para se levantar 37 vezes por hora para cuidar de seu bem-estar, o físico e o moral.

Quando você sai do quarto ele pergunta "aonde você vai?". Ora, dentro de uma casa, uma mulher só sai do quarto para ir à sala, ao banheiro ou à cozinha. Mas qualquer febrinha afeta o cérebro dos homens, mesmo o mais seguro deles, e na hora em que você atravessa a porta eles se sentem abandonados para sempre.

Homens doentes têm o costume de gemer muito; quando se viram na cama, quando tentam se levantar -- coitadinhos -- para entrar naquele banho que você preparou com tanto carinho, com arnica e sal grosso, para livrá-lo de todos os males, amém, e até quando respiram.

Quando no terceiro dia, depois de você insistir muito, ele vai para a sala enrolado num cobertor, vai mancando, como se tivesse quebrado as duas pernas. Talvez fosse o caso de providenciar umas muletas, para que o coitadinho possa se locomover com mais conforto -- e olha que estamos falando só de uma gripe de nada.

Ela que não ouse sair de casa, nem para ir à banca de jornais comprar as revistas da semana para distraí-lo um pouco; para dar uma volta e arejar a cabeça -- ou ir a uma simples aula de ginática --, nem pensar. Ela tem de estar li à disposição, 24 horas por dia e 24 por noite, sem poder afastar os olhos dele nem por um minuto. Álias, os olhos só, não: os pensamentos também.

Quer ter um pouco de paz? Fique de olhos fixos no relógio e de 10 em 10 minutos -- não, de 8 em 8 --, pergunte como ele está se sentindo, e se quer alguma coisa. Esteja sempre pronta para trocar o paletó do pijama, as meias de lã e para afofar os travesseiros, que têm de ser quatro: os dois dele e os seus dois. E você vai dormir sem nenhum? Mas é claro, e sem reclamar um só minuto.

Ah, um homem gripado em casa -- que coisa complicada. Trate dele muito bem, e faça tudo, mas tudo mesmo, para que ele fique bom logo, antes que você saia, bata a porta e suma, sem nem dizer tchau.

Mas, antes de tomar uma atitude assim tão drástica, lembre-se da primeira gripe que ele teve quando ainda namoravam, e do prazer que tinha em cuidar dele. Tê-lo ao lado o tempo todo fazia você tão feliz que quando ele dizia que já estava bom e já dava para trabalhar no dia seguinte batia até uma tristeza.

E, já que a hora é de pensar, pense que nesse exato momento deve existir uma mulher que adoraria estar cuidando dele todos os minutos do dia, como você já fez, de olho e prontinha para dar o bote. Pense também que não há nada mais vulnerável do que um homem -- sobretudo os gripados --, e depois não se queixe.

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Segunda-feira, Abril 14, 2003





A beleza que você aprecia e a sedução que deseja, tudo isso pode acontecer agora mesmo, vindo de sua própria alma. Por que esperar que a beleza e a sedução venham de outrem quando você pode realizá-las?

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Todo mundo dá por sabido que a morte é certa para tudo que nasce, mas ninguém se atreve a atualizar a outra verdade: tudo que morre renasce das cinzas do que parecia ser o fim absoluto. Atreva-se a ir além do óbvio.

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Domingo, Abril 13, 2003





REVISÃO



Quero ver você revisado,
renovado,
ressofrido.
Não precisa chegar arrependido.
Basta vir consciente.
Não precisa vir banido:
que chegue só devidamente
restaurado.
Não venha sequer
para ficar comigo;
mas sim porque o destino
deixou nosso caso inacabado.
E quando vier arrematar
sua partida,
traga de volta
a última saudade que lhe dei,
molhada ainda das luas que chorei.
Vou entregá-la à noite
confidente,
para que a guarde de vez em seu arquivo.
Ela vai se gastar, esvanescente,
como uma prova de adeus definitivo.


Flora Figueiredo

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Sexta-feira, Abril 11, 2003






Teus filhos não são teus filhos.
Eles são os filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de ti, mas não de ti.
E embora estejam contigo, não te pertencem.
Podes dar-lhes o teu amor, mas não os teus pensamentos,
pois eles tem seus próprios pensamentos.
Podes abrigar-lhes o corpo, mas não a alma,
pois sua alma mora na casa do amanhã,
que não podes visitar, nem mesmo em sonhos.
Podes esforçar-te para ser como eles, mas procura não fazê-los ser como tu,
pois a vida não anda para trás nem se demora no dia de ontem.

Kahlil Gibran

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Domingo, Abril 06, 2003





Uma mística hindu bateu de porta em porta, implorando por comida e abrigo. Ninguém na aldeia abriu a porta para essa estranha. No final, com frio e faminta, ela foi para as montanhas, fora da aldeia, para passar a noite. Tremendo, abrigou-se embaixo de uma árvore. Na hora mais fria antes do amanhecer, de repente ela acordou -- a lua cheia iluminando seu rosto. A árvore havia florescido e gloriosas flores brancas voltavam-se para a luz da lua. A mística chorou de alegria e gratidão, abençoando os aldeões por lhe terem virado as costas. Não fosse por eles, ela teria deixado de viver a experiência da sua vida: seu coração se abrindo para a riqueza do universo e transcendendo seus esforços atribulados para sobreviver, em favor de um raro lampejo do mistério.

Carol Orsborn

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Um homem foi pedir conselho ao padre da aldeia depois de ter passado adiante uma difamação sobre um amigo e posteriormente descoberto que tudo não passava de mentira. Ele perguntou ao padre o que poderia fazer para corrigir seu ato irrefletido.
O padre respondeu: "Se quiser ficar em paz consigo mesmo, você precisa encher um saco de penas de galinha, percorrer a aldeia de porta em porta e deixar cair uma pena em cada pórtico."
O camponês pegou um saco, encheu-o de penas e percorreu a aldeia fazendo o que o padre lhe recomendara. Ele então procurou novamente o padre e perguntou: "O que mais posso fazer?"
"Há mais uma coisa", respondeu o padre: "Pegue o saco e recolha cada pena que você distribuiu."
Relutante, o camponês iniciou a jornada em busca das penas. Horas depois ele voltou, dizendo: "Não consegui encontrar todas as penas, pois o vento as havia soprado."
O padre respondeu: "O mesmo acontece com a fofoca. Deixamos cair com facilidade palavras maldosas, mas nunca conseguimos pegá-las de volta."

Extraído de Os 12 Segredos da Felicidade, G.V. Ekeren

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Quarta-feira, Abril 02, 2003





Um predreiro não sabia valorizar a si mesmo. Vendo um rico mercador, ele quis ser como ele. Quando se tornou um rico mercador, ele se deu conta de que, com todo esse poder, ainda tinha de se curvar perante o rei; claro, agora ele queria ser rei. E assim aconteceu, até que ele notou como o sol o incomodava com o seu calor. Como o sol é poderoso, ele pensou, e então transformou-se no sol, até que uma nuvem mostrou seu poder, cobrindo-o. Ele tornou-se então a poderosa nuvem, até que um dia, o poderoso vento começou a empurrá-lo. Ele então se transformou no vento, que podia fazer tudo, exceto soprar a poderosa pedra. Ele se tornou a pedra, mais poderosa do que qualquer coisa na face da terra. E, enquanto ali estava orgulhoso ao sol, ele se perguntou o que poderia ser mais poderoso do que a pedra. E, ao olhar para baixo, ele viu um pedreiro, cortando-o com um cinzel.

Extraído de O Tao da Boa Forma Interior, de Jerry Lynch e Chungliang Al Huang

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Terça-feira, Abril 01, 2003





MUDANÇA

Flora Figueiredo


Tenho uma notícia pra lher
em primeira mão:
reformei ontem meu coração
e o deixei quase vazio.
Arranquei-lhe o último fio
de ilusão
que o tentava iluminar.
Tirei toda a forração.
Já não há tons indistintos
pra confundir
e nem prateleiras
pra distribuir planos.
Rasguei todos os panos
que cobriram nossas brincadeiras,
nossos instintos.
Um gesto meio cruel.
Decepação.
O pouco de mel
que ficara guardado,
derramei
e descolei o pedaço de sonho que restava ainda,
grudado.
Decepção.
Já não sei se ponho
poesia pelo teto
ou se o deixo
nesse desleixo discreto
de contemporização.
Só quero nuvens mansas
a atapetar-lhe o chão,
pra que, por fim, a esperança
possa dançar seus passos novamente
no meu mais recente espaço da emoção.

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Somos agentes da natureza


Todos nós devemos nos considerar como agentes de cura e limpeza da natureza, observando com maior atenção, por exemplo, o tipo de lixo que geramos e onde ele vai parar.
E não é apenas o lixo físico, das embalagens e objetos descartáveis, como também o mental. Mesmo que não saibamo explicá-lo ou que teimemos em ficar ignorantes a esse respeito, a mente também faz parte da natureza, e o tipo de pensamentos com que nos refestelamos em silêncio a afetam, positiva ou negativamente.
Um dia finalmente teremos de assumir que a natureza não fica fora de casa, ela é íntima, mas por causa de ter sido longamente recalcada, hoje em dia é mais fácil vê-la como tormenta emocional do que como sereno panorama bucólico.

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